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PÚBLICO – POLICIÁRIO Publicação: “Público” Coordenação: Luís Pessoa Data: 9 de Outubro de 2011 |
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Campeonato Nacional 2011 Taça de Portugal 2011 Prova 1: Tradicional +
Múltipla Prova 2: Tradicional +
Múltipla Prova 3: Tradicional +
Múltipla Prova 4: Tradicional +
Múltipla Prova 5: Tradicional +
Múltipla Prova 6: Tradicional +
Múltipla Prova 7: Tradicional +
Múltipla Prova 8: Tradicional +
Múltipla Prova 9: Tradicional +
Múltipla Prova 10: Tradicional +
Múltipla |
CAMPEONATO NACIONAL 2011 TAÇA DE PORTUGAL 2011 PROVA Nº
10 (RESPOSTA MÚLTIPLA) O IATE
MISTERIOSO Autor:
Malempregado Há muitos meses que o
Alberto estava debaixo de olho. A polícia tinha
informações bastante seguras de que se tratava de um mediano passador de
drogas, actuando numa zona de difícil controlo, por ser muito visitada por
nacionais e estrangeiros. Com uma vigilância à
distância, tão discreta quanto possível, a polícia foi reunindo informações e
indícios dos movimentos daquele pescador amador, que todos os dias se sentava
no mesmo local, preparava as canas, o isco e por ali ficava horas e horas,
numa pachorrenta sonolência. Os agentes estavam a
desesperar, dias e dias naquela monotonia, a olhar para um homem que parecia
incapaz de fazer mal a uma mosca, fazendo contagem das vezes que lançava o
isco, das vezes que retirava alguma coisa, inventando jogos para se manterem
minimamente atentos. Mas o que acontecia era que a paciência se estava a
esgotar e os agentes destacados andavam à beira de um ataque de nervos. Mas naquele dia,
tudo se alterou. O Alberto estava
sentado no seu lugar de estimação, junto da Torre Vasco da Gama, olhando na
direcção da ponte com o mesmo nome, seguindo as movimentações de três pessoas
que percorriam um iate de boas dimensões, ali ancorado. À primeira vista,
nada que despertasse suspeitas aos agentes, mas depois, um deles, colocado a
jusante, fazendo, também, de pescador, notou que havia uma espécie de
sinalética, um levantar e sentar, aparentemente sem sentido. Logo transmitiu
a informação ao outro agente, situado mais para o interior e a uma distância
mais reduzida do Alberto. O dia estava
belíssimo, não havia rasto de nuvens nem de vento, o chamado dia perfeito
para um bom passeio à beira-rio, seguindo o mergulho das aves e a discreta
ondulação que ia levantando uma leve espuma, rio acima. As movimentações das
pessoas no iate começaram a indiciar que este se aprestava para levantar
âncora e avançar em direcção à foz do rio. Em poucos segundos apareceu uma
espuma branca e o iate avançou, ligeiro. O agente-pescador
largou a cana, erguendo-se para ter uma melhor visão à passagem da
embarcação, procurando reunir o máximo de informação. Foi nesse momento, ao
aproximar-se mais da água, que viu dois embrulhos, flutuando na sua frente.
Desceu, lesto, e apanhou-os. Não era preciso grande esforço para deduzir que
se tratava de tabletes de droga, como já vira inúmeras vezes e que estavam
dentro de água há poucos minutos. Já de posse das
embalagens, ergueu os olhos e cruzou o olhar com as três personagens que
passavam precisamente à sua frente. Ficou sem saber se o olhavam
surpreendidos por o verem dentro da água ou por ele ter detectado algo que
lhes era dirigido ou que acabaram de largar para outras mãos… Rapidamente dirigiu
o olhar mais para cima, a tempo de ver que o Alberto se aprestava para largar
o seu poiso e sinalizou esse facto ao colega, que no entanto já estava bem
próximo de Alberto e em posição para a sua detenção. O iate foi
intersectado mais adiante, já depois de passar por baixo da Ponte 25 de Abril
e a sua vistoria, de alto a baixo, não deu em nada, se bem que um dos seus
tripulantes já tivesse uma longa história de tráfico. Nos interrogatórios
que se seguiram, o Alberto reafirmava a sua inocência: – Olhe, senhor
agente, eu sou um cidadão como outro qualquer, que apenas quer pescar. Sou
pescador, vou para ali todos os dias, na maior parte das vezes nem apanho
nada, mas passo o meu tempo… – Você está bem
conotado com o tráfico de drogas, meu caro. Sabemos que há muito tempo que
lhe passam pelas mãos doses importantes de drogas e dinheiros. Temos muitas
informações, está tramado. Faltava-nos o flagrante delito e ele aqui está. Se
quer um conselho, é melhor confessar já! – O senhor agente
está equivocado. Eu não tenho nada que ver com isto de que me acusa. Estava a
pescar, mais nada. Todos os dias vou para aquele lugar e não sei de mais
nada. – E o iate? Apanhámo-lo
à saída do Tejo. Já sabemos tudo, é melhor que confesse já e nos poupe a
todos o trabalho de ter de retirar coisas que já todos sabemos, não é
verdade? – Não posso
confessar uma coisa que não é verdade e não fiz… Os agentes fizeram a
retrospectiva da acção, verificaram minuto a minuto, segundo a segundo, toda
a cena. E concluíram: A – O Alberto pode estar envolvido e era o destinatário da droga enviada pelo iate; B – Embora seja o destinatário da droga enviada pelo iate, Alberto não pode ser incriminado porque não há provas contra ele; C – O Alberto pode estar envolvido naquele caso de droga, mas ela não veio do iate; D – O Alberto não pode estar envolvido naquele caso de droga, nem a droga veio do iate. |
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© DANIEL FALCÃO |
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